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Descobrir e nutrir as forças inatas.
Curiosidade, Busca pelo novo, Abertura a Novas Experiências.
Uma das principais forças e virtudes do caráter e parte fundamental nossa vida diária, a curiosidade, como virtude, pode envolver quase tudo em nosso dia a dia.
O interesse em descobrir o novo pode se expressar, por exemplo, em nossos relacionamentos pessoais. Nessas situações temos sempre uma oportunidade para utilizar esta força. O interesse genuíno pelo outro, geralmente evoca sentimentos positivos em ambas as partes, facilita a formação de vínculos sadios e um melhor entrosamento entre as pessoas.
Prestar atenção, perguntar, querer saber, expressar a curiosidade e interesse por determinada pessoa, faz a pessoa sentir-se bem, considerada e reconhecida pelo outro.
Pesquisas, na área da psicologia positiva, mostram que a pessoa com elevado interesse em descobrir tem: maior satisfação no trabalho, maior engajamento nas atividades que faz e um maior sentido na sua existência. Esses estudos mostram que os benefícios abrangem praticamente todos os domínios da vida pessoal.
Para compreender melhor esses benefícios, observe este ciclo: ao interessar, nós exploramos; … ao explorar, nós descobrimos; .. ao descobrir, nós aprendemos; …ao aprender, nós ficamos satisfeitos. Quando ficamos satisfeitos tendemos a repetir: explorar, descobrir e aprender.
O interesse em descobrir também nos permite lidar com o novo e com as incertezas do dia a dia, de forma inteligente e positiva. Ela trás satisfação e sentido no viver.
Gratidão é o apreciar e estar consciente das coisas boas que a vida nos apresenta.
A pesquisa mostra que a gratidão é uma das maneiras mais poderosas e instantâneas
para se entrar em um estado emocional mais positivo [1]. Estudos como o do Dr. Emmons revelam: as pessoas manifestam ou praticam a gratidão são mais saudáveis, vivem mais e sentem-se mais jovens. Esta pesquisa também revelou que as pessoas que se engajam na prática diária da gratidão apresentaram uma melhora na qualidade do sono.
A gratidão é uma emoção positiva tradicionalmente estudada por filósofos e humanistas. Recentemente tem sido objeto de estudo de abordagens que utilizam a metodologia científica. A psicologia positiva não estuda a gratidão apenas como uma disciplina acadêmica, mas também como uma atividade prática que pode ser incrementada. É um instrumento para incrementar o nível de felicidade e a auto-regulação emocional.
Dentro de uma perspectiva social e humanitária, a gratidão serve como nutrição. Alguém faz algo de bom e você diz: obrigado ou grato!. Esta comunicação incentiva o realizador a fazer mais coisas boas. Ambas as partes são preenchidas por sentimentos positivos.
Gratidão é fundamental para estabelecer e fortalecer relacionamentos. Imagine você sair com alguns amigos e no dia seguinte você recebe uma mensagem de um deles dizendo: “Obrigado
pelo passeio na noite passada. Foi ótimo vê-lo!”. Como você se sentiria? Existe uma grande chance de você sentir-se muito bem e querer encontrar essa pessoa novamente e o vínculo mútuo fortalecer.
A gratidão é uma importante força do caráter, fortemente correlacionada com o sentir-se feliz. Seja grato regularmente, só faz bem!
Dicas para aumentar a gratidão:
1. Procure identificar as coisas boas que lhe acontecem no seu dia a dia, por menores que sejam.
Identifique os detalhes das coisas positivas de sua vida.
2. Pense nas pessoas que trazem coisas boas em sua vida. Caso decida manifestar sua gratidão, primeiro reconheça o sentimento antes de expressá-lo (as pessoas podem identificar um falso).
3. Olhe para as coisas que você costuma agradecer normalmente e adicione um toque extra. Por exemplo, em situações que diz apenas obrigado, reflita e descreva melhor o que de bom você pode reconhecer.
4. Utilize outras palavras e expressões, tipo: “eu aprecio muito quando você…”; “significa muito para mim você …”, seja criativo nos seus agradecimentos.
5. Mantenha um diário de gratidão por três coisas boas no seu dia, semana ou mês. Fica mais fácil ter acesso e se conectar com estes sentimentos no momento que precisar.
(1)- Emmons, & McCullough. (2004). The Psychology of Gratitude. New York, NY: Oxford Press.
Você normalmente se permite ser humano?
É comum na vida adulta procurarmos agir de acordo com um padrão ideal de comportamento. Muitas vezes sem perceber, não nos permitimos viver nosso lado humano e fazemos o impossível para atender a um modelo de perfeccionismo.
Este nobre conceito foi inicialmente introduzido na psicologia positiva pelo Dr. Tal Ben-Shahar. Seu curso sobre felicidade é um dos mais populares da Harvard University, com mais de 800 alunos matriculados a cada semestre. Provavelmente você nunca imaginou que se ensinasse felicidade na Harvard, não é mesmo!
Segundo o Dr. Tal Ben-Shahar, o primeiro passo no caminho da felicidade autêntica é a permissão para ser humano. Quando aceitamos nossas emoções – que sejam: tristeza, medo ou ansiedade – como naturais, temos maiores chances de superá-las. A atitude de rejeitar e negar tais emoções leva à frustração e ao sentimento de infelicidade.
A habilidade de experimentar e expressar as próprias emoções é um elemento vital para uma vida saudável. Os problemas ocorrem quando as pessoas se apegam às suas emoções ou tentam escondê-las.
Não existe nada de errado com as emoções negativas. Elas geram complicações quando você se mantém nelas. A pessoa que permanece chorando e lamentando por semanas provavelmente estará entrando em uma séria depressão, neste caso, temos sim um problema.
A permissão para ser humano envolve uma “reverência” a emoção que você esteja vivendo, seja ela positiva ou negativa. O importante aqui é dar vazão e movimento, permitir o fluxo natural do sentimento.
Uma concepção distorcida da psicologia positiva é que ela seria uma proposta do tipo: “seja sempre feliz”; “apologia às emoções positivas”. É natural buscar as emoções positivas. Acontece que não é possível estar o tempo todo neste estado As emoções negativas fazem parte viver também.
Vale aqui citar o trabalho da Drª Barbara Fredrickson, professora da University of North Carolina e especialista no estudo das emoções positivas. Para ela as emoções positivas são a expressão de saúde e de sanidade, permitem o florescimento e a expansão do potencial pessoal. Em sua abordagem ela sugere a proporção ideal entre as emoções positivas e negativas de 3 para 1, respectivamente.
Uma vez que você inicia a permissão para ser humano, aceita suas falhas e segue adiante. Fica mais fácil e natural aceitar o próximo como ele é. Facilita também permitir que outro também seja humano, que ele seja “UM MANO”.
Um abraço humano,
Fábio.
Algumas pessoas diante de adversidades têm uma reação de explosão. Ficam com muita raiva e irritação, têm atitudes agressivas que repercutem em mais adversidades. Outras pessoas ficam meio paralisadas, sem conseguir agir. Elas implodem e sentem-se sem esperanças, fracas e deprimidas.
Muitas vezes, frente às adversidades, reagimos como vítimas. Ao colocar-se no lugar de vítima, a pessoa perpetua sentimentos de desesperança, ela reclama e lamenta, atribui a fatores externos a responsabilidade pela sua situação na vida. Exemplo: “- Isto não é justo!”, “- Veja o que fizeram comigo!”.
Na reação de vítima, a pessoa não dá os passos necessários para sair da situação, ela não consegue lidar adequadamente com as adversidades, mesmo quando a crise já passou. A pessoa resiliente se adapta facilmente, consegue aprender com as adversidades, é criativa, supera a situação e segue adiante na vida.
O problema é que em nossa cultura existe uma valorização da posição de vítima. Em alguns momentos tendemos a valorizar a posição de vítima de situações traumáticas na infância e obter alguns benefícios secundários desta posição. Na verdade, todo indivíduo tem um potencial inato de qualidades e recursos para superar suas situações adversas, mesmo que no momento não se dê conta.
Quais os fatores que influenciam a felicidade? A felicidade é algo intencional?
Para responder a estas perguntas a Drª Sonja Lyubomirsky e colaboradores após longos anos de estudo propuseram um diagrama amplamente divulgado no campo de psicologia positiva. Os fatores que determinam o bem estar e a felicidade foram organizados em 3 grupos. Ainda que 50% dos fatores são heranças, podemos dizer inatas, e 10% são circunstâncias da vida de cada um nós temos a grande fatia de 40% que depende única e exclusivamente de nossa intenção e ação. Depois do determinismo genético e das condições ambientais temos a nossa atitude.
As propostas práticas da psicologia positiva se encaixam nestes 40%, elaborando e testando atividades para aumentar nosso nível de bem estar e felicidade. Atividades como:
Há muito tempo, pais, professores e profissionais da educação tem se focado em identificar e tratar as fraquezas e déficits dos alunos com objetivo de melhorar o desempenho acadêmico. Um novo paradigma vem sendo proposto por movimentos educacionais positivos, que é mudar o foco da atenção para as forças e qualidades das crianças. Estas propostas argumentam que toda criança pode encontrar realização e sucesso na vida se começarmos a focar nas forças e competências que cada um invariavelmente tem.
Dentro desta concepção existe o trabalho da Drª Jenifer Fox, coordenadora de importantes programas educacionais nos EUA. São programas para promover nos pais e professores novas posturas e estratégias para educação das crianças centrada nas forças.
Alguns de seus fundamentos são:
Site: www.strengthsmovement.com
Livro:Your Child’s Strengths. A guide for parents and teachers. Jenifer Fox, M.Ed.
Publicado por Penguin Books Ltd.
Nosso passado determina nosso futuro?
Com certeza a história de vida de cada um afeta significativamente a maneira como somos. Mas até que ponto?
Albert Ellis na década de 50 desenvolveu uma abordagem conhecida como Terapia Racional Emotiva, que tem como proposição fundamental de que as experiências passadas não são tão cruciais na vida de uma pessoa, como postulavam alguns seguidores de Sigmund Freud.
Desta forma, a única razão daquelas experiências continuarem nos influenciando é porque continuamos a repetir os mesmos padrões de pensamentos e emoções que nos foram ensinados desde nossa infância.
As experiências atuais do indivíduo, repletas de emoções negativas, comportamentos auto-derrotistas e ineficientes, perpetuam porque a pessoa continua doutrinando a si mesmo com frases e idéias que por sua vez geram sentimentos e comportamentos correspondentes.
Antes de Albert Ellis, temos os postulados do filósofo romano Epíteto que falava “Não são os fatos que perturbam os homens mas como os homens vêm os fatos”.
Estas concepções são as mesmas que formaram a base da Terapia Cognitiva organizada por Aaron Beck na década de 60.
IKIGAI - 生き甲斐
Na cultura japonesa, todos temos uma ikigai escondida. É a razão de ser de cada um. Encontrá-la exige, uma pesquisa profunda e prolongada de si mesmo, um processo que é considerado muito importante. Acredita-se que a descoberta de um ikigai traz satisfação e sentido à vida. Este algo pode ser bem específico e significativo particularmente como um hobby, um relacionamento, um projeto ou algo que te encanta e motiva.
Toshimasa Sone e colaboradores desenvolveram um estudo na Universidade de Tohoku, em Sendai no Japão para avaliar a relação entre viver com sentido e longevidade. Eles acompanharam 43.000 adultos por sete anos. Os pesquisadores descobriram que os indivíduos que acreditavam que sua vida valia de ser vivida, que encontravam uma razão no viver, apresentaram menor probabilidade de morrer mais cedo que os demais.
Muitas pessoas que buscam auxílio psicológico, psiquiátrico ou de um mentor espiritual estão na verdade em busca de um sentido em suas vidas. Viktor Frankl denomina este fenômeno de vazio existencial, ou seja, a angustia de não ver sentido na própria vida. Ele publicou um estudo com prisioneiros em campos de concentração que descobriu que aqueles que tinham um forte sentido para viver foram os que sobreviveram, para o Dr. Frankl eles sobreviveram porque acreditavam que tinham algo importante a realizar. O mesmo ocorre com pacientes de câncer que têm melhor sobrevida quando encontram sentido nas coisas que tem a realizar. De seu trabalho nasceu a logoterapia, “logos” que em Grego significa “sentido” ou “meaning” em inglês.
No trabalho terapêutico o profissional não tem como saber e dizer o sentido da existência de cada um, o que fazemos é estar ao lado do cliente e auxiliá-lo a encontrar o seu sentido particular de viver, a descobrir quais coisas são importantes para cada um.
Viktor Frankl. Man’s Search for Meaning, Part One, “Experiences in a Concentration Camp”, pages 56-57 in the Pocket Books edition; ISBN 13: 978-0-671-02337-9
Toshimasa Sone et all.Sense of Life Worth Living (Ikigai) and Mortality in Japan: Ohsaki Study. Psychosomatic Medicine 70:709-715 (2008)
Um otimista é amplamente considerado como alguém que vê o melhor de cada situação, o lado positivo da vida ou que vê o copo meio cheio.
Martin Seligman utiliza o conceito de “estilo explicativo” para definir o otimismo. Nesta concepção o otimismo não estaria tanto nas frases positivas e imagens de sucesso. Ele estaria na maneira de pensar sobre as causas do que acontece em nossa vida. Cada um de nós temos o nosso próprio “estilo explicativo”, uma maneira de pensar que explica as causas das coisas que acontecem em nossas vidas.
Desenvolvemos o nosso estilo ou padrão de pensamento durante a infância e, a menos que sejam tomadas medidas no sentido de mudá-la, ele irá durar para toda a nossa vida. O padrão age como um prisma através do qual vamos explicar o porquê das coisas acontecerem para nós mesmos, sejam elas boas ou más.
Aprender otimismo envolve identificar os padrões de pensamento, as crenças ou as formas de pensar condicionadas. Questionar e buscar evidências das avaliações distorcidas. Descobrir novas formas construtivas e adaptativas de avaliar as situações. Otimismo aprendido é a construção de uma forma de pensar positiva.